Como pode isso? China gastou milhões com testes para Covid-19 meses antes de comunicar oficialmente surto

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Especialistas dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália divulgaram, na última segunda-feira (04), uma análise sobre dados de um site chinês de licitações públicas. No relatório foi identificado um aumento discrepante na compra de testes PCRs (que detectam doenças virais e materiais genéticos) já em maio de 2019, antes do primeiro caso de Covid-19 ser oficialmente comunicado, informa o site Terça Livre.

Segundo o documento, feito pelo portal de segurança cibernética australiano Internet 2.0, as compras foram feitas de julho a outubro de 2019, em particular pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Wuhan. A China, no entanto, comunicou à OMS que o primeiro caso sintomático foi registrado somente em 8 de dezembro daquele ano.

Os dados apontam que, enquanto os pedidos de testes diminuíram quase 10% em hospitais, eles dobraram nas universidades, aumentaram cinco vezes mais no Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças e dez vezes mais nas agências de testes em animais. O Exército de Libertação do Povo (Forças Armadas do país comunista) também registrou um aumento a partir de maio de 2019.

O registro no valor gasto também aumentou. A universidade de Wuhan, que ao lado de instituições de saúde foi responsável pelas respostas ao surto, aumentou em oito vezes as compras dos testes em relação ao ano anterior, subindo gastando com os produtos 8,92 milhões de yuans.

“Acreditamos que o aumento dos gastos em maio sugere que esta seja a primeira data de início para uma possível infecção”, diz o relatório.

Esses fatores, segundo o relatório, são evidência de que “o aumento das compras foi provavelmente vinculado ao surgimento de COVID-19 na província de Hubei em 2019”, e reforça a ideia de que a China trabalhava para ocultar do resto dos países o surgimento de uma doença potencialmente contagiosa.

O relatório alega que o aumento incomum provavelmente sinaliza o conhecimento de uma nova doença se espalhando dentro e ao redor de Wuhan, capital da província de Hubei, e avalia “com grande confiança que a pandemia começou muito antes do que a China informou [à Organização Mundial da Saúde] sobre o COVID-19”, conclui o documento.

Em resposta à análise, o Ministério das Relações Exteriores chinês alegou que investigações sobre a origem e o rastreio do vírus são questões que devem ser tratadas por cientistas. O órgão informou, ainda, que o Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China publicou um livro onde registra as ações e narra os esforços da China no combate à Covid-19.

O professor da Tama Graduate School, que pesquisou os dados de maneira independente, disse que não se pode afirmar algo com certeza tendo por base apenas informações de compras públicas. Contudo, ele reconhece que a informação é forte no sentido de pressionar por mais respostas sobre o surgimento do coronavírus.

“Não podemos dizer com certeza com apenas as informações de compras públicas, mas é uma informação forte para argumentar que houve conscientização de um surto de vírus em Wuhan vários meses a meio ano antes daquele dezembro. […] Este relatório pode fornecer uma oportunidade para os países pressionarem a China por informações novamente”, conclui.

Um dos autores do último relatório, o professor David Robinson, menciona a falta de transparência por parte da China, o que acaba permitindo o levantamento de muitas hipóteses e teorias, além de afetar diretamente as vítimas.

“Não houve compartilhamento de dados utilizáveis ​​da China sobre como e quando a Covid-19 começou. Transparência zero alimentou muitas hipóteses, teorias, desinformação, bem como dores de cabeça para as vítimas. […] A Internet 2.0 usou nossas habilidades para tentar fornecer alguns dados confiáveis ​​para o mundo chegar a um acordo com os impactos desta pandemia”, finalizou o professor.

Outras pesquisas mostram o aumento acentuado na frequência e atividade no Hospital de Wuhan a partir de agosto de 2019, de acordo com um estudo realizado no ano passado por pesquisadores de Harvard e outras instituições, que chegaram a essa conclusão por meio de imagens de satélite dos estacionamentos do local.

Um outro relatório, feito pelas Agências de Inteligência dos Estados Unidos, não encontrou confirmação se a doença foi transmitida de um animal hospedeiro ou vazou de um laboratório.

A informação também foi trazida pelo analista político Paulo Figueiredo, no programa Radar da Mídia dessa segunda-feira (04).

“O que faz um país, de um ano para o outro, sem nenhuma epidemia, sem ninguém saber de nada acontecendo, fazer aumento um de 800 ou 500%. E mais do que isso, o próprio relatório disse, não houve compartilhamento de dados utilizáveis da parte da China sobre quando e como a Covid-9 começou”, frisou.

terrabrasilnoticias

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