É loja ou banco? Pernambucanas e outras redes entram com tudo nos serviços financeiros

Fachada de uma das lojas Pernambucanas , na rua Dr Muricy ,420 .

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Pernambucanas, Renner, Riachuelo e Casas Bahia, já têm, há anos, seus próprios cartões, uma evolução dos antigos carnês com vantagens como parcelamentos e descontos especiais. Há mais de uma década, a fidelização dos clientes foi tamanha que foi preciso criar financeiras, empresas à parte da estrutura inicial, para dar conta do crescimento dos serviços oferecidos. Agora, essas mesmas financeiras estão migrando para modelos que comportam serviços de “banco digital”: cartão pré-pago e de crédito com funções como pagamento e transferências, contratação de empréstimos e seguros, entre tantos outros. Afinal, é loja ou é banco?

“Somos uma loja e queremos continuar como uma loja, que agora também cuida do dinheiro do cliente”, diz Sérgio Borriello, CEO da Pernambucanas, que, em abril, lançou sua Conta Digital. Em pouco mais de um mês, a Conta Digital Pernambucanas já tinha 130 mil inscritos – a expectativa é terminar 2019 com um milhão de contas abertas.

A transformação digital da varejista teve início em 2016, quando o processo de concessão de crédito, antes feito na área de crediário em um espaço reservado das lojas, passou a ser feito por um atendente no salão, munido apenas de um tablet. Em sete minutos o cartão da loja estava pronto.

Depois disso, vieram o aplicativo da loja e do cartão, melhorias no site e no e-commerce. Em 2018, a Pernambucanas passou também a emitir o cartão de crédito com bandeira Elo, que passa a permitir que o cliente o utilize em outros estabelecimentos.

Mas faltava algo. Segundo Borriello, todos os benefícios oferecidos pela loja, como descontos, cupons e checkout digital, eram presos ao cartão próprio, o que acabava excluindo uma parcela dos consumidores que, por algum motivo, não tinham acesso a crédito. Agora, com a Conta Digital, estes clientes podem ir à loja, abrir sua conta e já recebem um cartão pré-pago, basta fazer um depósito na conta para começar utilizá-lo. “Com o cartão, você consegue fazer tudo que uma conta digital oferecida por banco faz: saques, transferências, depósitos. Tudo que um banco oferece. A diferença é que, por trás disso, temos uma rede com 350 lojas físicas, o que os bancos digitais não oferecem”, diz o CEO.

As compras feitas com o cartão são passadas no débito, mas o cartão também pode ser utilizado para compras online, como um de crédito. Além das transações já citadas, também é possível gerar boletos, realizar recarga de celular e compra do bilhete único (cartão-transporte de São Paulo) pelo aplicativo Cartões Pernambucanas. Os saques podem ser feitos nos caixas da Rede 24 h, com cobrança de taxa a partir do terceiro saque, e também diretamente em uma loja Pernambucanas, sem custos. O mesmo vale para depósitos. Por mês, o valor de manutenção da conta é de R$ 4,99.

Borriello diz que a transformação digital que levou a todo este processo está além da empresa, mas nas pessoas. “Sempre tivemos como característica o relacionamento com a família brasileira. Não poderíamos deixar de oferecer mais este cuidado com nossos clientes”, afirma. Toda a gestão das contas e cartões é feita pela Pefisa, Financiadora da Pernambucanas que existe desde 1976, mas que Borriello acredita que hoje pode ser considerada uma fintech.

Foco nos desbancarizados e nas classes C,D e E

Apesar de já terem a autorização do Banco Central para funcionarem como banco, os serviços que a Pernambucanas deseja oferecer estão em sintonia com o que os seus clientes buscam. Não está nos planos da rede operar com câmbio, por exemplo. Ou mesmo ter uma agência bancária. “Queremos oferecer os serviços bancários corriqueiros de um cliente comum. Pagar, receber, transferir. Mas nosso foco é o varejo”, conclui.

Mesmo sem o desejo, ao oferecer tais serviços estas varejistas acabam gerando um novo fluxo de caixa e, principalmente, de pessoas em suas lojas físicas. “O cliente que foi atrás só da conta digital, pode se tornar um cliente da loja em si. O foco destas redes tem sido, principalmente, os desbancarizados”, diz Ricardo Baccarat, especialista em Varejo Digital da AGR Consultores.

A facilidade para abertura de contas digitais é um grande diferencial para esta população, que muitas vezes se intimida com a burocracia da abertura de contas correntes tradicionais. “Eles concorrem principalmente nesta parcela da pessoas que os bancos não conseguem alcançar, que não é atendida”, completa.

Entre outros varejistas que também estão neste caminho, está a Renner, que em 2018 transformou sua subsidiária financeira em uma instituição independente, a Realize, e emite cartões de crédito em até quatro minutos. A Riachuelo também aguarda a autorização do Banco Central para transformar sua financeira Midway em banco.

E em maio deste ano, a Via Varejo, controladora da Casas Bahia que em junho passou para as mãos da família Klein, anunciou uma aliança com a fintech Airfox e criou a BanQi. A empresa, que quer ser o “banco”digital das classes C,D e E, lançou nesta quinta-feira (5) três novos produtos atrelados a parcerias que representam R$ 300 milhões em aportes da Via Varejo no negócio.

Gazeta do Povo


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