EMOCIONANTE: Advogado Jorge Béja conta como a revista Veja tentou destruir sua reputação

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A Revista Veja é sujíssima. A que está nas bancas neste fim-de-semana (6/7) investe agora contra o ínclito ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça Sérgio Moro. “Justiça com as próprias mãos” é o título da capa da revista que estampa a foto de Sérgio Moro em toda a sua extensão e tamanho. A investida torpe encontrou resposta a altura na matéria publicada aqui no Jornal da Cidade Online e intitulada “A Revista Veja, a desinformação a pleno vapor e o necessário freio nessa prática criminosa”, escrita por Guillermo Federico Piacesi Ramos, também advogado como sou.

Mas a Veja é assim. Quando faz um prisioneiro, rodeia-o de excrementos, como nos deixou escrito o renomado e irreverente escritor francês Léon Bloy (1846-1917) no seu clássico “Le Mendiant Ingrat” (O Mendigo Ingrato). O prisioneiro da Veja de hoje é o respeitabilíssimo doutor Sérgio Moro e levando de roldão o nosso hercúleo presidente Jair Bolsonaro, um revolucionário-democrata e que veio para tudo reformar e edificar um novo Brasil. Mas o prisioneiro da Veja de outrora fui eu próprio, enganado pela Veja-filhote, a Veja-Rio.

Desde novembro de 1993 que trago comigo grande mágoa que me causou a revista Veja (Vejinha-RJ). No auge do exercício da advocacia e devido à projeção que alcancei, não por méritos próprios, mas em razão das rumorosas e inéditas causas que abracei, sempre em defesa de pessoas vitimadas (foram mais de 30 mil causas), a Veja me pediu uma entrevista de uma página.

Queria saber da minha vida, do meu dia-a-dia e como eu fazia para me sustentar, pois trabalhava mais gratuitamente do que cobrava honorários da clientela. Além disso — justificou a revista –, eu também era pianista e dava modestos recitais, todos beneficentes.

Concordei. E durante quatro dias (segunda, terça, quarta e quinta-feiras) a delicada e fidalga repórter Márcia Vieira, ora sozinha, ora acompanhada de um fotógrafo, se encontrava comigo pela manhã e comigo passava quase o dia inteiro, registrando tudo o que eu fazia. Até meus álbuns de fotos e notícias, que estava no meu franciscano escritório na Praça Mauá, Márcia carregou com ela para a redação da Veja aqui no Rio de Janeiro e depois me devolveu. De mim, a Veja fez fotos no escritório, nas ruas, no fórum, recebendo clientes…e muito mais, tudo para uma entrevista de uma página.

E eu – acreditando que a entrevista de uma página serviria para estimular outros advogados, principalmente no início da carreira, a obrar sempre e sempre e desinteressadamente pelo próximo, preferencialmente pelos pobres, vítimas das mazelas do poder público e de acidentes e tragédias, naturais e causadas pela incúria humana – concordei com a entrevista de uma página. Mas não foi bem assim. Não foi nada assim. No domingo seguinte, quando a Veja-Rio foi para as bancas, minha foto ocupava toda a capa da revista. Embaixo da foto o título “O Chato Útil”. E dentro da revista, na reportagem de sete páginas, uma outra grande foto com outro título: “Dr. Útil & Fútil”.

Chato, porque eu corria atrás e contra os grandes e poderosos em defesa dos pequenos e pobres. Fútil, porque proibi na Justiça que Madonna se apresentasse no Maracanã com a bandeira brasileira, que ela prometeu, quando desembarcou no Aeroporto do Galeão, esfregar na vagina na sua apresentação do Maracanã como “prova de amor ao Brasil e aos brasileiros”. Fútil, porque proibi o então prefeito do Rio, César Maia, de pagar 6 milhões de dólares a Michael Jackson para o cantor, que estava em São Paulo, viajasse até o Rio e cantar aqui.

Fútil, porque outra vez proibi o mesmíssimo prefeito de pagar outros 6 milhões de dólares ao cineasta e então senador italiano, Franco Zefirelli, para comandar o Réveillon daquele ano na praia de Copacabana.

Fútil, porque foi com um Habeas-Corpus que impetrei em Brasília que consegui que o Dalai Lama Tenzin Guiatzu e sua comitiva viessem ao Brasil participar da Eco-92, uma vez que o governo brasileiro, subserviente à China, negara o visto ao líder tibetano.

Fútil, porque também foi com outro Habeas-Corpus que voltei a Brasília para impetrar e garantir que o então cacique Mário Juruna viajasse até Roterdã e ocupasse sua cadeira no Tribunal Bertrand Russell, lá reunido para discutir a situação indígena de todo o mundo. Juruna, então tutelado pelo Estado Brasileiro, havia sido impedido pelo governo brasileiro de ir ao encontro internacional, mas a concessão do Habeas-Corpus derrubou a proibição. E Juruna viajou.

Fútil, porque, ao ler nos jornais a situação da paciente Dilma Fernandes, internada aqui no Rio no Hospital Souza Aguiar, onde suas carnes serviam para a comida dos ratos do hospital, também por conta própria e através de Habeas-Corpus, retirei-a de lá, fechei a enfermaria e o diretor do hospital foi levado para a delegacia.

Dilma estava em coma, com paralisia cerebral e engessada da cintura até os dois pés. Com o emagrecimento, as pernas foram definhando, definhando e os ratos do hospital entravam pela vão, entre o gesso e as pernas (fininhas, fininhas) e comiam as carnes de Dilma. A princípio o juiz criminal negou o habeas-corpus.

“Ela não está presa, doutor”, disse o juiz para mim ao antecipar que negaria a expedição da ordem de remoção. Quando respondi e justifiquei que a paciente estava numa situação, não análoga, mas pior do que presidiária, porque não tinha condições de se defender, aí o magistrado imediatamente me deu razão e expediu a ordem de remoção, fechamento da enfermaria e condução do diretor até à presença do delegado de polícia.

Tudo isso – e muito mais – eu fiz por conta própria. Ninguém me pediu. Ninguém me pagou. Ninguém me ajudou. Assim agi por convicção, por não aceitar o injusto, para dar o exemplo e incentivar jovens advogados. Me trouxe satisfação, alívio, e mais força e determinação para prosseguir. Mas me trouxe grande mágoa também.

E a mágoa quem me causou foi a Revista Veja-RJ. Mágoa que me acompanha até hoje. Sim, poderia, mas decidi não levar a Veja aos tribunais pelo tratamento pejorativo que dispensou a mim e ao meu trabalho advocatício.

Certamente venceria eventual ação indenizatória por danos morais. Mas não é o dinheiro que faria desaparecer a mágoa. Não é o dinheiro que paga a tristeza que me causaram as adjetivações publicadas a meu respeito e contra mim. E até hoje, perto de 23 anos depois, sinto a mesma mágoa, a mesma decepção que senti desde que a revista foi para as bancas.

Agora foi a vez do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Imagino como o doutor Moro está se sentindo. Julgou com absoluta imparcialidade e isenção todos os processos da Lava Jato e outras operações congêneres e de magistrado exemplar que foi, passou a ser acusado de parcialidade nos processos que presidiu e julgou. São acusações aleatórias, de ouvi dizer, do talvez quem sabe… acusações oriundas de práticas criminosas… de seus opositores… daqueles que foram por ele condenados…

Para que os leitores tenham, ainda que ligeira e incompleta, a dimensão da publicação da referida revista em novembro de 1993, aqui vão reproduzidas, sem os devidos caprichos fotográficos, a capa e uma das 7 páginas da longa matéria sobre minha vida que a Revista Veja-Rio publicou.

Doutor Sérgio Moro, a Revista Veja também quis destruir minha reputação, sem conseguir. Também não conseguirá destruir a reputação do senhor. Siga em frente. A Veja rasteja. O senhor e eu – e tantos outros que foram vilmente atacados por suas publicações – somos sobranceiros e altivos.

Jorge Béja


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