A Globo e a Folha, o “jornalismo” em dois mundos díspares… Quem são as fontes?

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“Fonte” é uma das sacrossantas pedras do Jornalismo. A garantia de seu sigilo está esculpida ao Art. 5º, XIV, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”. É um daqueles assuntos tidos por “indiscutíveis” aos que dizem defender os princípios basilares do Estado Democrático de Direito.

Penso ser um tema relativo e passível de discussão sim, sem que seja vilipendiado um grão sequer da Democracia. Nem pretendo algo profundo. Vamos pelo raso mesmo, “talquei”?!

Vejamos duas matérias publicadas em veículos de comunicação de grande porte na tarde desta segunda-feira, 08 de abril de 2019, logo após o anúncio da exoneração de Ricardo Velez Rodriguez e da assunção de Abraham Weintraub como novo titular do Ministério da Educação – MEC, cargo dos mais relevantes na Esplanada dos Ministérios e que passa por inadequada e gravíssima disputa interna de poder.

A primeira matéria é assinada pelo respeitado jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e do G1 – O Portal de Notícias da Globo. Nela, escreve o colunista: “A nomeação do economista Abraham Weintraub para o comando do Ministério da Educação, segundo assessores do presidente Jair Bolsonaro, funciona como uma solução de meio termo para tentar apaziguar os ânimos de militares e do escritor Olavo de Carvalho. […] Ou seja, um nome que possa acabar com a divisão dentro da pasta e fazer o ministério começar a funcionar”. [Confira à íntegra: https://glo.bo/2G8ZL1S]

Já a segunda, assinada pela jornalista Anna Virginia Balloussier, da Folha de S.Paulo, aponta para uma extrema proximidade entre Weintraub e a ala olavista que virou o MEC de pernas para o ar, inclusive com radicalismos toscos que só estão prejudicando o Governo Bolsonaro. Escreve a jornalista, sobre a participação do novo ministro num evento da direita em Foz do Iguaçu: “Abraham aconselhou a plateia: ‘se um comunista chega com o papo nhoim nhoim, xinga’. Exatamente como o escritor Olavo de Carvalho sugere fazer. ‘Nesse tipo de diálogo’, continuou, não dá para ter ‘premissas racionais'”. [Íntegra do conteúdo: https://folha.com/yche0bp5]

A supramencionada matéria vem lastreada por duas outras: uma de autoria de Igor Gielow: “Militares perdem embate e temem continuidade da crise no MEC” [https://folha.com/szo0ba4y]; e outra da coluna Painel, assinada por Daniela Lima: “Olavo de Carvalho chancelou indicação de novo ministro e cobrou realocação de seus alunos no MEC” [https://bit.ly/2YYgA7e].

E eu pergunto: quem são essas “fontes” tão preciosas e bem informadas a ponto de conseguir, supostamente de dentro do Governo Bolsonaro, criar dois mundos absolutamente distintos como esses narrados pelos dois maiores de veículos de comunicação do Brasil?

Há, sim, pontos de confluência entre as matérias, mas elas revelam universos díspares de compreensão dos fatos oficiais. E aqui chegamos ao ponto nevrálgico da minha proposta de reflexão: o que é MATÉRIA JORNALÍSTICA e o que é ANÁLISE DE OPINIÃO?

Tenho visto na última década uma profusão de “análises de opinião” disfarçadas de “matérias jornalísticas”. Particularmente, acho isso um acinte. Ofende a inteligência do Povo Brasileiro em pleno Século XXI.

Nada contra um jornalista desejar expor suas opiniões. Acho até saudável, pois assegura maior verdade e credibilidade ao trabalho do profissional. Mas, é preciso deixar claro: trata-se de texto de OPINIÃO.

O que estamos assistindo são profissionais do Jornalismo vendendo suas opiniões pessoais como se fatos objetivos fossem. E o fazem garantindo a existência de “sigilosas fontes” a chancelar aquela suposta informação factual. #ÉaLama!

Quer publicar achismos? Beleza. Mas, ao menos tenha a dignidade de dizer que é JORNALISMO DE OPINIÃO. É mais bonito… e ÉTICO. Porque o que temos hoje é a mutação do constitucional “sigilo da fonte” numa espécie de salvo-conduto para transformar em NOTÍCIA aquilo que deveria ser apenas ANÁLISE.

Sigamos em frente…

Helder Caldeira

Jornal da Cidade Online


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