Lula sai do Brasil para criar realidade paralela sobre biografia na Europa

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O problema, para o petista, é que não é possível vencer eleições aqui fazendo apenas campanha fantasiosa no exterior.
No auge da Lava-Jato, em 2016, Lula, já delatado por metade do bando de empreiteiros e operadores que saqueou a Petrobras, teve a coragem de definir-se como a “alma mais honesta do país”.

Com tríplex, com Sítio de Atibaia e todas as relações com empreiteiros da Odebrecht, OAS, Andrade… Com tantos amigos, assessores próximos e aliados já presos ou a caminho da tranca, o petista ofereceu aos brasileiros o seguinte banho de realidade paralela:

“Se tem uma coisa que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da PF, do MP, da igreja e do sindicato. Pode ter igual”.

Cinco anos depois, o petista não mudou nada. Viajou para a Europa há pouco para falar a plateias que não o questionam quando tenta flagrantemente reescrever a história do festival de escândalos de corrupção que foram os governos petistas. Lula foi condenado, derrubou as condenações, é verdade, mas é preciso que se diga tantas e tantas vezes: não foi inocentado. Os crimes não sumiram.

Dar entrevistas fora do Brasil é fácil. Lula pode incorporar, sem quase nunca ser questionado, a figura da “alma mais honesta”. Nada sobre os bilhões desviados da Petrobras para o cofre administrado por João Vaccari, ou sobre a Conta Amigo, da Odebrecht, que bancava mimos pessoais do petista. Nada sobre os 300 milhões de reais recebidos dos irmãos Batista em contas no exterior que garantiram vitórias petistas nas urnas. Um passado de crimes substituídos por frases do tipo:

“Essa viagem que fiz pela Bélgica, Alemanha, França e Espanha é uma tentativa de provar, para o próprio povo brasileiro, que o mundo gosta do Brasil. Sou muito grato ao presidente Pedro Sánchez, que me recebeu, ao Macrón e ao Olaf Scholz, que me receberam, ao Parlamento Europeu, que me tratou com a maior dignidade. Porque não é o Lula que é importante, é o Brasil que é necessário ao mundo neste instante para discutir uma nova geopolítica”, disse.

Em favor do petista, diga-se, o descalabro produzido pelo governo de Jair Bolsonaro ajudou nessa reconstrução. Diante de um presidente que fez o que fez na pandemia e em tantos outros temas do país, até Lula — com a lembrança do legado social dos primeiros governos — tornou-se algo atrativo para uma parcela de brasileiros que havia desistido do PT.

O problema, para o petista, é que não é possível vencer eleições aqui fazendo apenas campanha na Europa. E apagar o passado petista de corrupção também é tarefa difícil. Para chegar, Lula terá, como já disse Ciro Gomes, que responder pelo passado de corrupção dos governos dele e de incompetência dos governos de Dilma Rousseff.

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