“Maior salário do Brasil deveria ser para professor e policial”, diz Damares

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Em entrevista, ministra Damares Alves fala sobre seu ministério, pacote anti-crime, Flávio Bolsonaro e muito mais. Confira a íntegra.

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, defendeu seu companheiro de governo, Sérgio Moro, ministro da Justiça. De acordo com ela, o excludente de ilicitude é legítimo. “Trabalho com a Polícia Militar. Não posso dizer que todos os policiais nas ruas vão pegar arma e sair matando tão somente por matar”.

Damares disse também ter como meta reformular a ressocialização de jovens infratores. Ela quer acabar com a visita íntima nas unidade de apreensão. “Mamãe Damares vai mandar bola, livro, arroz e feijão. Camisinha e lubrificante, não”, disse em entrevista.

Desde 2012, uma lei dá direito à visita íntima a jovens infratores casados ou, comprovadamente, em união estável.

A popularidade da ministra está em alta, no entanto, a pastora, pedagoga e advogada descarta hoje ser candidata. Na conversa, chorou mais de uma vez ao tocar em temas polêmicos.

Leia os principais trechos da entrevista.

O Orçamento da sua pasta teve corte de 20% para o próximo ano. Como trabalhar com isso?
Duplicamos o número de emendas (verbas que parlamentares escolhem as áreas onde aplicar). Teve secretaria que saiu de R$ 1 milhão para R$ 15 milhões em emendas, como a do Idoso. E parcerias. Fechamos com a Avon para divulgar o Disque 180 (canal para denunciar violência à mulher). O anúncio estará em revistas e produtos. Numa 2ª fase, treinaremos vendedoras para serem agentes de proteção da mulher.

Sem contrapartida?
É. O poder público não vai fazer sozinho. Precisamos descentralizar ações. Chega de técnicos, de “ólogos” atrás de uma mesa decidindo o que tem de acontecer lá na ponta.

Qual é a agenda de 2020?
Estamos construindo o maior pacto de proteção à criança no País. Temos R$ 100 milhões da Petrobras para ampliar e construir unidades socioeducativas. Preciso entregar 62 unidades no País. Há cinco mil meninos nas ruas. Nos próximos três anos priorizaremos a entrega de unidades, mas não só construir. Queremos mudar o atendimento. Eles têm ido às unidades, entretanto, saem piores. Farei unidades em fazenda, voltadas ao esporte de alto rendimento e ao ensino de qualidade.

Mas não dá para fazer tudo isso só com a verba da Petrobras…
O dinheiro de leilões, estatais, vendas… Parte irá para nossas unidades. Consigo construir todas em três anos e também fazer parceria público-privada. E não aceito visita íntima para meninos. Qual a idade da namorada que vai lá transar com ele? Vou enfrentar isso. Mamãe Damares vai mandar bola, livro, arroz e feijão. Camisinha e lubrificante, não.

No lançamento do disque 180, a sra. ficou calada. O que achou da repercussão de sua atuação?
Devia ter tido um pouco mais de compreensão da imprensa. A ideia da campanha era “não tire a voz de uma mulher” e eu queria participar. Queria que vissem uma mulher que fala demais ficar no silêncio. No entanto, não me arrependo.

A sra. está entre os ministros mais bem avaliados no governo. A que atribui essa popularidade?
Falamos o que o Brasil queria ouvir, como proteção da infância. Bolsonaro foi eleito por maioria e quem votou nele sabia quais são as propostas. Tem um tripé: economia, segurança pública e valores. Você observa que esses três ministérios estão no coração do povo.

A sra. defende a licença-maternidade de até um ano? Consegue apoio da política liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes?
Vamos. Guedes é liberal, mas com coração no social.

A sra. já disse se ver empoderada. O filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), pediu que professores não ensinem feminismo. Concorda?
Quando falo que sou empoderada, uso o sonho das feministas: empoderar uma mulher. Queria dizer às feministas que me criticam tanto que poderíamos ter diálogo. Poderiam usar meu exemplo na luta delas. Sou mulher que veio de baixo, não tinha nem sapato para ir à escola. No entanto, hoje sou ministra.

Estadão

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