Ministro da Casa Civil quer policiais armados em aviões

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Para defender seu projeto de colocar policiais armados a bordo de jatos comerciais, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, diz que portas de cabine dos aviões são frágeis e podem ser derrubadas com chutes.
 
Uma pena que o comandante do A320 da German Wings, cujo co-piloto se trancou no cockpit e lançou o aparelho contra uma montanha nos alpes franceses num ato suicída, não sabia disso. Do contrário, teria salvo as 150 almas a bordo – incluindo a própria – naquele triste episódio em 2015. Para quem tem estômago, pode-se ouvir na internet os murros na porta e os apelos desesperados do comandante para que o colega liberasse o acesso até a cabine do 320, captados pelo gravador de áudio do cockpit.
 
Políticos são capazes de propagar qualquer coisa para aprovar seus projetos. Mas não deveriam espalhar pânico desnecessário nas pessoas. Muitas delas sofrem de medo sempre que precisam embarcar em uma aeronave. Fazer leigo acreditar que um ponta-pé põe um criminoso no setor reservado à tripulação só traz preocupação infundada aos passageiros.
 
Ao jornal O Globo, Lorenzoni disse: “Os pilotos reconhecem, os comandantes, muitos falam comigo que eles têm receio. É muito frágil aquela porta, mete o pé na porta, está dentro da cabine. Aí como faz para se defender?”.
 
Dada a segurança na fala do ministro, é de se supor que a maioria dos comandantes prepara para breve um abaixo-assinado, uma manifestação ou algo parecido exigindo policiais armados a bordo.
 
O último caso de sequestro de avião no país foi em 1988, quando um passageiro armado tomou o Vasp 375, feriu 2 comissários, assassinou o co-piloto Salvador Evangelista e acabou preso e morto em Goiânia. O sequestro do VASP 375 será dramatizado no cinema em breve, em uma iniciativa do produtor Constâncio Viana. As filmagens do longa sob a direção de Marcus Baldini começam ainda esse ano. Naquela época não hava rigor na inspeção de passageiros. Para embarcar hoje, todo mundo conhece a saga aeroportuária em revistas e raio-x. E não dá pra bancar que há 31 anos, com um agente armado a bordo, poderia se evitar a tragédia no Boeing 737 da Vasp.
 
Para quem tem certeza que a presença de policiais armados é garantia de segurança em casos extremos, recomendo uma conversa com familiares da jovem professora Geisa Gonçalves, morta por um tiro do conceituado BOPE durante o desfecho do sequestro do ônibus 174, no Rio.
 
Passageiros mais atentos perceberam que depois do 11 de setembro e de acidentes como o do German Wings há novas regras e protocolos.
 
Quando um dos pilotos vai ao toalete, por exemplo, um comissário deve entrar no cockpit até o retorno do piloto. A tripulação tem acesso ao código digitável na porta.
 
Não há notícia de qualquer incidente que pudesse ter sido evitado com a presença de um policial armado a bordo de um avião no Brasil. Estranhamente, com altos índices de criminalidade nas ruas, o ministro da Casa Civil está muito preocupado com a falta de policiais em voos.
 
Na Câmara, Onyx Lorenzoni fez parte da Frente Parlamentar da Segurança Pública, conhecida como Bancada da Bala, formada por policiais, militares e delegados. São dezenas de deputados. Em 2014, quando a doação empresarial a campanhas eleitorais ainda era permitida, o deputado recebeu contribuições legais da Taurus e da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), maiores empresas de armas e munições do Brasil.
 
Político experiente, Lorenzoni sabe que toda lei requer uma ampla discussão até ser aprovada no Parlamento. Se o argumento será o da suposta fragilidade da porta das cabines – projetadas para suportar tiros de fuzil – é bem provável que a proposta tenha enormes dificuldades em decolar.
bsbmagazine.com.br

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