O vírus invisível tornou visível a nossa falta de humanidade

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Há um ano fomos surpreendidos por um vírus terrivelmente assassino, que nos obrigou a ficar em casa, até segunda ordem. Empresas, escolas, igrejas e todos os estabelecimentos comerciais foram fechados. A vida humana passou a funcionar no modo online.

Sem saber o que fazer, as pessoas passaram a dar ideias de como aproveitar melhor o tempo: arrumar gavetas, ler livro, brincar com os filhos, assistir filmes etc.

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Surgiram teses de que a pandemia seria um castigo divino para tornar as pessoas mais humildes e humanas. Houve até um ex-presidente, que exaltou a natureza por ter criado o coronavírus, e assim atrapalhar os projetos do governo.

Entretanto, após um ano de confinamento em casa, o único indício de crescimento é do número de mortos, 252.835 até hoje. Isso sem computar as mortes por outras doenças e acidentes.

Médicos alertam para um aumento das doenças respiratórias nos próximos meses, em especial a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Por medo de contágio pelo coronavírus, os portadores de doenças crônicas evitam ir aos hospitais, essa negligência pode levar ao aumento da mortalidade. Vida e morte foram os assuntos do ano.

Com finalidade didática a pandemia é classificada em ondas. Mas, na verdade é sequência e consequência de uma grande e avassaladora onda, que precisa ser estudada para prever as ações de controle. Estamos na quarta onda, onde a atenção é voltada para a saúde mental. O estresse desencadeado pelas alterações no modo vida, exacerbados pelos traumas, luto por parentes e amigos, ou, por sequelas do pós-covid, provocou um aumento nos transtornos psicológicos e psiquiátricos.

Não há previsão de quando a vida voltará ao normal. O saldo negativo atinge todas as dimensões da vida física, mental, emocional, espiritual. Um perigosíssimo desgaste abateu-se sobre a sociedade. Nossas esperanças estão no campo da miragem de um futuro incerto. Tudo o que conseguimos foi a globalização dos problemas. Quem poderá nos salvar?

Engana-se quem pensa que há um salvador. Engana-se muito mais quem pensa que há um culpado. Toda a sociedade e seus representantes políticos são responsáveis. A crise sanitária atinge o planeta. Mas, o modo como cada país se comporta é determinante para redução de danos. Ou, para o aumento dos danos.

Em tempos de caos e crise, é comum buscar por um culpado. Mas, é absolutamente INSANO achar que há mesmo um culpado para uma pandemia de dimensão global. A maior doença está no campo da falta de ética, a doença é coletiva. O Brasil fracassa no quesito humanidade. Justamente no momento que mais precisamos uns dos outros.

Falta-nos educação, respeito, solidariedade, empatia, sinergia e vergonha.

Vergonhoso ver nossos três poderes sem harmonia, disputando o poder (guerra de egos);

Vergonhoso ver redes de televisão, jornais e mídias diversas gerando desconforto, divisão e desinformação para a população;

Vergonhoso ver a povo (que se sabe soberano) comportar-se de maneira rebelde, deixando de cumprir os protocolos de higiene e as regras de convivência, gerando regressão e atraso no combate à pandemia.

Está claro que a doença é coletiva.

Temos um déficit de socialização.

O que nos diferencia das máquinas é justamente a nossa humanidade.

Somos humanos ou robôs?

Bernadete Freire Campos

JCO

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