URGENTE: Argentina quebrou! Peso perde 30% e bolsa despenca 9%

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Mercado reage mal à derrota de Macri na Argentina; peso, títulos da dívida e ações caem.

‘Os mercados reagem mal quando percebem que foram enganados’, disse Alberto Fernández, cabeça de chapa de Cristina Kirchner, referindo-se à política econômica do atual governo.

BUENOS AIRES e WASHINGTON — Em resposta à grande derrota sofrida pelo presidente Maurício Macri no domingo, em eleições primárias que funcionaram como uma prévia da disputa presidencial de 27 de outubro, os títulos da dívida e ações de empresas argentinas registraram quedas de dois dígitos na abertura dos mercados nesta segunda-feira. O peso argentino caiu 30% em relação à moeda americana, cuja cotação passou a 60 pesos por dólar, levando alguns bancos privados a suspenderem operações de câmbio. No final da manhã, a bolsa de Buenos Aires operava com queda de 9%.

Os números anteciparam uma preocupação dos mercados com a política econômica que poderá ser adotada caso a chapa formada por Alberto Fernández e a ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, que vencer as prévias, saia vitoriosa das eleições.

Macri foi eleito em 2015 com a promessa de liberalizar a economia argentina, prometendo acabar com o intervenções do Estado promovidas por Cristina Kirchner (2007-2015), em especial no seu segundo mandato. Ele liberou o câmbio e retirou os subsídios que mantinham baixos os preços de serviços como gás e eletricidade. Mas, ao contrário do resultado que esperava inicialmente, a inflação continuou a subir e os investimentos estrangeiros não compareceram em volume suficiente.

Há cerca de um ano, sem dinheiro para pagar a dívida pública, Macri fechou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 50 bilhões, o maior empréstimo já concedido na História do organismo, e, mesmo assim, não conseguiu acalmar a economia. Na manhã desta segunda, enquanto os impactos de sua vitória nas prévias eleitorais começaram a vir à tona, Alberto Fernández disse que a política econômica de Macri enganava os mercados.

— Os mercados reagem mal quando percebem que foram enganados. E, na verdade, o governo os conduziu a esse estado de coisas com o festival de títulos que emitiu, com a crise da dívida — disse Fernández, em declarações à Rádio 10.

Em seguida, o candidato à Presidência, que disse não ter recebido nenhuma ligação da Casa Rosada após os resultados de domingo, chamou o modelo econômico de Macri de “fictício”, afirmando que seus resultados começam a ser sentidos na Argentina.

— O presidente teria que se concentrar em trazer paz de espírito. Os mercados alertam que o governo entrou em um cenário em que não pode responder. Isso tem que ser resolvido pelo governo: nós alertamos que estávamos vivendo em uma economia fictícia e agora, infelizmente, o que dissemos começa a ser comprovado.

Um informe do banco de investimento JP Morgan indicava, nesta manhã, que com a provável vitória em primeiro turno da chapa de oposição em outubro, a chance de uma “descontinuidade das políticas” econômicas de Macri é muito maior. “A pressão sobre os mercados financeiros vai aumentar devido a uma probabilidade maior da descontinuidade das políticas”, diz o relatório.

Os títulos da dívida e as ações argentinas em Wall Street tiveram uma queda de dois dígitos antes da abertura das operações. Os títulos de 100 anos, promovidos pelo governo como um sucesso e um suposto sinal da recuperação argentina, caíram 14%, enquanto outros papéis caíram cerca de 15%.

Todos as empresas argentinas listados na Bolsa de Nova York tiveram quedas cerca de 15 minutos antes da abertura — a Loma Negra, mais afetada, chegou a ter perdas de 61,57%. Os títulos do Banco Galícia, que haviam registrado ganhos de mais de 9% na sexta-feira, quando três pesquisas com resultados favoráveis ao governo incentivaram os investores a comprar ativos, chegaram a cair 35%.

Nesta manhã, Macri reuniu-se na Casa Rosada com o presidente do Banco Central, Guido Sandleris, o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, e seu chefe de Gabinete, Marcos Peña, para discutir os impactos do resultado das prévias na economia argentina.

g1


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